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segunda-feira, 1 de julho de 2019

Canto de Ossanha - Baden-Powell

Link para versão de Vínicius de Moraes e Toquinho: https://youtu.be/_hstxID1kAs

Letra:

"O canto da mais difícil
Da  mais misteriosa das deusas
Do candomblé baiano
Aquela que sabe tudo
Sobre as ervas
Sobre a alquimia do amor"

Vocalização: Deaaá! Deeerê! Deaaá!"

O homem que diz "dou" não dá, porque quem dá mesmo não diz
O homem que diz "vou" não vai, porque quando foi já não quis
O homem que diz "sou" não é, porque quem é mesmo é "não sou"
O homem que diz "tô" não tá, porque ninguém tá quando quer
Coitado do homem que cai no canto de Ossanha, traidor
Coitado do homem que vai atrás de mandinga de amor

Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou

Que eu não sou ninguém de ir em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor

Amigo senhor, saravá, Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha, não vá, que muito vai se arrepender
Pergunte ao seu Orixá, o amor só é bom se doer
Pergunte ao seu Orixá o amor só é bom se doer

Vai, vai, vai, vai, amar
Vai, vai, vai, sofrer
Vai, vai, vai, vai, chorar
Vai, vai, vai, dizer

Que eu não sou ninguém de ir em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor

Comentário:

Essa música ficou popularizada com Elis Regina. OSSANHA (Ossaim) na verdade é uma divindade do panteão africano de gênero Masculino, feiticeiro e detentor do segredo das Ervas. Essa música  faz uma referência a uma passagem mítica dos Orixás, onde Oxóssi é aconselhado a não sair para caçar nas matas em determinado dia, porém ele teimoso vai e não volta pra casa por um longo tempo. Então a pedido de sua mãe Iemanjá, seus irmãos Ogum e Xangô vão a floresta em sua procura e acompanhado deles vai Iansã. Adentrando nas Matas Ogum, Xangô e Iansã encontram Oxóssi  morando maritalmente com Ossanha (Ossaim) enfeitiçado por uma porção que o mesmo guardava em uma cabaça dependurada em uma árvore, Ogum e Xangô quebraram a cabaça libertando assim o irmão Oxóssi do feitiço e Iansã aproveitando o desespero de Ossaim, aproveitou o ensejo para ventar e espalhar todas as ervas que ele cultivava. Oportunamente todos os Orixás colheram das ervas que voavam ao vento e as que conseguiram apanhar a ele ficou consagrada. Porém, antes de qualquer Orixá a primeira consagração das ervas  é de Ossaim por ele possuir os seus segredos e ser o seu Orixá.

Ossanha é orixá masculino para a nação Jeje. Na nação Ketu, este mesmo orixá se chama Ossain (Òsanyìn). É um orixá fundamental do Candomblé, pois governa, domina e entende o poder das folhas e sem folhas, não ha Orixá e nem Candomblé. Os Afro-Sambas foram um marco, pois troxeram um pouco da cultura e religiosidade afro-brasileira. Ainda quebraram um pouco do preconceito que sempre atingiu esta cultura!

sexta-feira, 7 de março de 2014

Como Nossos Pais

Como Nossos Pais
Elis Regina

Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa

Por isso cuidado, meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado pra nós
Que somos jovens

Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço
O seu lábio e a sua voz

Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sinto tudo na ferida viva
Do meu coração

Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais

Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém

Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando

Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem

Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando o vil metal

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais
"Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar."

Clarice Lispector