domingo, 24 de novembro de 2019

Seja o protagonista de sua própria história.


1. Busque tirar força da adversidade. Evite o viés da negatividade.

2. Nutra confiança em todas as suas relações. Entenda que empatia é entender que o outro é realmente outro.

3. Observe a sua volta o que está fora de seu controle e o que é possível estar sob seu controle. Canalize sua energia para o segundo. Lembre-se de que energia é um recurso finito.

4. Não espere dar vontade para fazer algo. As coisas mudam com ações e não com vontades. Desafie seu cérebro: aprenda coisas novas. Consistência é mais importante que intensidade. É melhor meio passo do que nenhum. Sucesso é uma medida pessoal, não é comparar-se com alguém, mas consigo próprio: estou melhor do que eu era ontem?

5. Todos vamos morrer. Não desperdice seu tempo. Com o passar dos anos você tem menos tempo para viver. Seja responsável com esse recurso.

Pedro Calabrez

Assista a palestra na íntegra https://www.youtube.com/watch?v=FUepaoneUvs
"Feito é melhor que perfeito", será?


Com certeza sim. Fazer é melhor do que não fazer. Muitas vezes a busca pela perfeição nos paralisa, até porque a perfeição é algo muito difícil de se obter e em muitos casos impossível. Trata-se de uma ilusão que nem sempre nos paralisa, mas tira toda nossa produtividade. E uma vez que você não é produtivo, você não vê os resultados e logo desiste. 

Fazer não significa fazer de qualquer jeito. Significa não inventar desculpas que não fará algo porque não pode fazer do jeito ideal ou da forma perfeita. Uma frase que carrego comigo sempre é dita e repetida por Mário Sérgio Cortella:

Faça o teu melhor, na condição que você tem, enquanto você não tem condições melhores, para fazer melhor ainda!

Ou seja, apenas faça algo entregando o seu melhor naquele momento. Mas Roldan, 'tô desanimado, faça! Estou cansado, faça! Quantas vezes criamos ou potencializamos desculpas. É normal estar cansadado após um dia pesado de trabalho, após conflitos. Mas se para cada ação necessária inventarmos uma desculpa, não faremos absolutamente nada além da nossa zona de conforto.

A zona de conforto é um lugar lindo, pena que lá nada acontece. 

Quantas vezes deixamos de correr ou fazer qualquer atividade física por desculpas, sempre acharemos uma, vejamos:

- Não tenho tênis;
- 'Tá frio;
- 'Tá calor;
- Não tenho roupas adequadas;
- 'Tô cansado;
- Tenho que estudar/trabahar/cozinhar/cuidar dos meus filhos;
- Meu pé 'tá doendo;
- Minha unha encravou;
- A Lua está em escorpião;
- Etc.

É lógico que muitas vezes esses fatos acima poderão cancelar ou adiar nossa atividade física (menos a astrologia, fui bem sarcástico, peço desculpas se você leva isso muito a sério). Realmente não temos a obrigação de fazer uma atividade física com enxaqueca e devemos ser responsáveis com nossos compromissos, se existe um trabalho necessário ou urgente a ser feito naquele momento, com certeza ele deverá ser priorizado. Mas voltando aos exemplos acima, veja que nem citei "academia", nesse caso a principal desculpa seria: não tenho dinheiro para pagar a mensalidade; é longe; o instrutor é péssimo...Além disso, podemos contextualizar o exemplo com qualquer atividades que temos desejo de executar: leitura, trabalho, estudos, tempo de qualidade e lazer com amigos e família e por aí vai.

Meu ponto é: inventamos desculpa para tudo o tempo todo.
Precisamos lutar contra isso!

Quando falamos em otimizar e usar o tempo a palavra da moda é a procrastinação, deixar algo para depois. E nesse contexto muitos falam de motivação: precisamos buscar a motivação para fazer algo, encontrar os propósitos que nos inspiram. Isso é lindo e devemos mesmo procurar propósitos e razões para fazer algo. Mas a verdade é que estamos preguiçosos. Precisamos ser honestos às vezes. No meu caso se eu precisar de motivação para algumas atividade que faço ou pretendo fazer - ´tô ferrado. Isso porque motivação é algo interno, não basta ver vídeos motivacionais ou ver alguém com o corpo perfeito que em seguida sentirei vontade de sair correndo. Talvez eu sinta primeiro inveja, raiva porque a genética de fulano é boa e a minha é péssima. Ou fulano é magro ou bonito porque tem dinheiro, essa afirmação é a campeão de vendas.

Quantas vezes escutei na minha vida: não existe pessoa feia, existe pessoa pobre. Olha, de fato o dinheiro pode fazer milagres com procedimentos estéticos. Mas correr e caminhar na rua é de graça (pelo menos por enquanto). E na contramão da frase citada, conheço muita gente rica que não tem nada de saudável, que são feias e estão mutio acima do peso. E no fundo todos nós sabemos que aqueles famosos com corpos "perfeitos" ralam muito na academia e a maioria deles praticam hábitos saudáveis. Não é uma lipospiração que vai deixar alguém sarado por muito tempo é a rotina dela, nossos hábitos dizem quem somos.

É preciso ter decisão: vou fazer mesmo sem vontade ou motivação.
Vou fazer porque me amo e preciso cuidar de mim.
Vou fazer porque sei que é importante e as consequências
farão minha vida melhor.
Vou fazer porque terei mais qualidade de vida.

Atenção, quando digo fazer sem vontade é pensando em algo positivo, ok? Não significa que vou na casa de fulano sem vontade só para agradar ele. Que vou praticar um esporte que detesto porque queima mil calorias por hora, não! Se você não está a fim de fazer algo não force a barra. Minha reflexão é sobre crescimento pessoal, desenvolvimento, autoaperfeiçoamento. Penso em atividades como caminhar, correr, malhar, meditar, ler, praticar um hobby (pintura, música, artesanato), praticar ajuda ao próximo e por aí vai.

Bom agora me despeço de você porque vou correr um pouco -  pergunta pra mim se estou a fim? Não mesmo, mas vou mesmo assim! Por que? Porque sei que minha vontade é comer e ficar à toa o dia inteiro. Nunca fui bom em física, mas acredito muito na inércia, ou seja, se eu não decidir colocar o tênis e correr, vou desperdiçar meu dia todo com nada (não sou contra o descanso necessário e o ócio, mas isso é assunto para outro dia). 

A melhor maneira de dar início a alguma coisa
é parar de falar e começar a fazer. (Walt Disney)

Namastê!

Roldan Alencar





sábado, 23 de novembro de 2019

"A vida já anda tão pesada
Se desfaça das malas que pesam mais
Se desfaça da mágoa
Se desfaça da dor
Se desfaça do ódio
Se desfaça do rancor
Cultive o amor
Pra colher as mais belas verdades
Cultive o amor
Pra colher as mais belas saudades"

 Saudades do tempo
Maneva

Saudades do tempo, dos velhos momentos
Dos anos passados que foram com o vento
Sorrisos, lembranças, belos sentimentos
De transformações e de renascimentos
Praias, viagens pela madrugada
Nossa rotina era o pé na estrada
Sempre felizes sem pensar em nada
Paisagem mais bela é o sorriso da amada

Contava as estrelas manto prateado
Sentia o calor de um abraço apertado
Fazia minha boca tocar o seu lábio
Lua iluminava com um Bob no rádio
Nas manhãs nubladas, bom humor imperava
A vida era um jogo, sem cartas marcadas
A noite no fogo, um bom som que rolava
Por entre a fumaça, diversas risadas

Como se seus ouvidos pudessem respirar
O som invadia o corpo, como se fosse o ar
O som tomava forma, sensação de bem estar
Momentos de magia, muitas formas para amar
Marcas de batom na borda de um copo plástico
No peito euforia, abraços, riso fácil
E com desconhecidos, seguia, criando laços
Transpirava alegria era dona dos seus passos
Consciência admirável como as tintas de uma tela
Seus olhos tinham o brilho das cores da aquarela
Seu cabelo ao vento era a paisagem mais bela
Tinha a complexidade de uma Vênus moderna
Ascendeu ao azul do céu nos seus próprios pensamentos
Não pensou no seu futuro, ela era o momento
Vi a ponta dos seus pés no gelado do cimento
Entre olhares meu desejo, povoar seu pensamento

Como se seus ouvidos pudessem respirar
O som invadia o corpo, como se fosse o ar
O som tomava forma, sensação de bem estar
Momentos de magia, muitas formas para amar
Marcas de batom na borda de um copo plástico
O peito euforia, abraços, riso fácil
E com desconhecidos, seguia, criando laços
Transpirava alegria era dona dos seus passos
Consciência admirável como as tintas de uma tela
Seus olhos tinham o brilho das cores da aquarela
O seu cabelo ao vento era a paisagem mais bela
Tinha a complexidade de uma Vênus moderna
Ascendeu ao azul do céu nos seus próprios pensamentos

Não pensou no seu futuro, ela era o momento
Vi a ponta dos seus pés no gelado do cimento
Entre olhares meu desejo, povoar seu pensamento
Entre olhares meu desejo, povoar seu pensamento
Entre olhares meu desejo, povoar seu pensamento



quarta-feira, 13 de novembro de 2019

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

A beleza da incerteza e os desafios da vida

Paradoxalmente a beleza da vida está na dúvida. Que graça teria a vida se cada acontecimento fosse um passo previamente conhecido - não teria a menor emoção. Tenho a impressão que nossa sociedade moderna quer acabar com isso. É como se fôssemos marionetes. Quando nascemos temos um manual pré-fabricado de como tudo deve ser. E parece que nos é permitido apenas mudar algumas pequenas cláusulas de manual.

E isso é algo importante a se pensar. Mesmo que não entremos em discussões religiosas, gostaria de perguntar por que vivemos? Qual o nosso propósito de vida? Qual a nossa margem de escolha no mundo que vivemos. Isso é muito sério. Para começar não escolhemos a época em que nascemos, nem nosso gênero, nome, nacionalidade, etnia, família ou classe econômica. 

Quais são nossas escolhas, senão aquelas oriundas da realidade pronta que recebemos ao nascer?

Em um lacônico resumo, ouso esboçar um possível modelo de vida nos seguintes termos: (excetuando o nascimento, os demais não seguem uma ordem cronológica exata): - Nascemos. Aprendemos a andra e falar. Entramos no colégio. Nos graduamos. Estudamos incessantemente por anos para conseguir um bom emprego (afinal precisamos fazer nossa vida. Pagar contas: água, energia, telefonem internet, carros, roupas, viagens, celulares e acessórios).  Precisamos nos relacionar, namorar, casar. Precisamos de casa e precisamos gerar filhos, netos...plantamos uma árvore, escrevemos um livro...Um ajuste ali, aqui ou acolá, pronto cumprimos o manual mencionado lá no começo. Podemos esperar a morte em paz.

Tanto é verdade o que estou dizendo que quando alguém chega na casa dos 30 anos ou até antes se sente na obrigação de ter conquistado a almejada estabilidade financeira e vários pontos do "suposto manual" da vida, como se casar, por exemplo. A mulher se sente pressionada a ter filhos. E lá no íntimo, mesmo que digamos que não ligamos para toda essa expectativa social, sempre existe alguma frustração de algo não realizado segundo os padrões da sociedade. Um auto-senso de falha. Isso é normal.

Faz sentido? Você vive assim? Eu vivo e neste exato momento estou pensando no que posso fazer para processar toda essa informação e ressignificar tudo isso.

A questão não é ter um filho, é criá-lo da melhor forma possível. Não é sobre plantar uma árvore, mas sim regá-la todos os dias. Não é sobre escrever um livro, mas sim acreditar e praticar aquilo que foi escrito.

Nos sentimos pressionados a tomar determinado rumo, muitas vezes porque é o que a maioria faz. Seria o famoso efeito manada? Somos orientados a fazer o curso X ou Y, porque o curso Z não dá dinheiro (não importa se você gosta ou não). Somos conduzidos a sermos bem sucedidos e talvez teremos como brinde a tão sonhada felicidade. Afinal, é muito mais fácil sorrir quando se mora numa casa confortável, dirige um carrão e não possui dívidas, certo? Mas será tão simples assim?

E nessa toada, algo que me intriga ocorre quando acesso a internet e vejo milhares de coaches e pseudo terapeutas dizendo: você pode ser o que quiser. Desde de um milionário a uma celebridade da TV. Tudo é questão de meritocracia. Bem, eu realmente acredito no poder do trabalho e no poder da transformação. Mas como falar em meritocracia para pessoas desiguais. Qual a probabilidade de um filho de juiz ser médico em comparação a um filho de uma mãe solteira com mais 5 irmãos residentes em uma favela do Brasil? 

Ambos terão que estudar e se dedicar caso queiram se tornar médicos, é claro. Mas qual terá as melhores condições de lograr êxito? Quem teve acesso aos melhores colégios, médicos, alimentação, moradia. E nesse raciocínio eu indago: - Seria o mundo justo? Seria a vida traiçoeira? Qual seria a culpa de Deus em tudo isso? A vitória ou derrota depende somente de nós mesmos? Isso me faz lembrar de uma reflexão de Mário Sérgio Cortella:

"Faça o teu melhor, na condição que você tem, enquanto você não tem condições melhores, para fazer melhor ainda!" 

Não estou defendendo o vitimismo. Estou apenas indicando as incongruências do discurso do "posso tudo desde que eu pague o preço". Esse discurso é parcialmente verdadeiro. Com certeza temos que lutar pelo que queremos e fazer nosso melhor, entretanto, é preciso antes enxergar a realidade, pare depois transformá-la. Veja, não estou dizendo que é errado seguir passos ou planejar a vida. Isso é bom. O errado é a "opressão". É o fazer por fazer. Sem vontade. Sem reflexão.  Sem tesão. Geralmente fazemos nossos planos de vida baseados em ilusões ou nos passos que nossos pais seguiram ou planejaram para nós. E falando neles, é claro que eles sempre desejam o melhor é claro. Querem que tenhamos uma vida bem-sucedida.  Mas o que seria uma vida "bem-sucedida" em termos da sociedade atual? Seriam nossos desejos uma construção do ego, algo feito para manter nossas aparências? Ou seriam sonhos do nosso íntimo? Coisas que realmente nos deixam realizados. 

Atenção! Não quero incentivar à vida dos prazeres (hedonismo) aquela em que a vida perfeita está atrelada a fazermos somente aquilo que nos dá prazer, tampouco o niilismo (pessimismo sobre a vida). De forma alguma. A vida boa para mim é a vida com significado. Que tenha um propósito, seja ele cuidar de crianças carentes, salvar as baleias, o meio-ambiente, propalar a arte (música, pintura, literatura), esportes, criar seus filhos ou escrever um livro.

Gostaria de deixar claro que faço muitas perguntas e não pretendo responder todas (talvez eu não responda nenhuma). Meu objetivo aqui é a reflexão. Na filosofia as perguntas são mais importantes que as respostas, pois a solução de um problema nasce primeiro com as ideias.

Ok, Roldan! Estou refletindo, mas você não teria alguma ideia? Sim, como eu mencionei lá em cima, é preciso acreditar e praticar o que se escreve. Eu escrevo para refletir e reflito enquanto escrevo, num processo de retroalimentação. Comecei a escrever justamente para extravasar todo sentimento não compreendido. Confesso que o processo de significação da vida é infinito, pois ele vai se transformando. Afinal, aprendemos e ensinamos todos os dias. Aquele que deixou de aprender ou ensinar, assinou sua sentença de morte. E quando digo "aprender e ensinar",  não me refiro somente ao ensino formal propriamente dito, podemos aprender e ensinar de infinitas maneiras. Mas é preciso estabelecer as bases do que será nossa "vida com propósito", ou como diria Clóvis de Barros Filho: uma vida que vale a pena ser vivida.

Precisamos delimitar o ponto de partida. No meu caso, tento apreciar todos os processos em que estou inserido. Amo aprender e ensinar. Amo a arte e suas vertentes. Amo a beleza da vida e seus detalhes. Amo me conectar com as pessoas. Estou aprendendo a ajudar o próximo de uma forma mais direta. E tento a cada dia apreciar o presente, o agora. Maximizar cada momento. Pode ser um bom filme, uma conversa, uma taça de vinho ou um apetitoso prato de comida. Cometo milhares de falhas, continuo tendo dias péssimos, choro, me estresso, me sinto só, me desconecto de pessoas que amo muito e isso realmente dói  -  mas faz parte do processo. Quem disse que seria fácil?

Precisamos realmente parar e refletir naquilo que queremos. Dizer que queremos ser felizes e que queremos ter uma vida boa, é algo tremendamente óbvio e ao mesmo tempo vago. Todo mundo quer isso. Mas o que fazermos para alcançarmos esse objetivo? Vamos primeiro refletir. Vamos questionar nossas vontades e desejos. Por que preciso de um carro novo? Será que quero isso somente por aparência? Preciso realmente me casar ou vou me casar para não ficar só? Será que eu  desejo filhos ou tenho medo de ficar velho e desamparado? Será que desejo estudar Direito ou farei somente para agradar meus pais? Preciso mudar de emprego ou vou viver reclamando do atual? Preciso entrar ou sair de um relacionamento? Sinceramente eu não sei. Mas digo que nunca é tarde para mudar. Não importa se é o emprego ou casamento. É possível começar a transformação neste exato momento. Isso dá muito trabalho. Toda transformação gera dor. Ser feliz dá muito trabalho, como diria Leandro Karnal.

Precisamos nos debruçar sobre todas as decisões que tomamos e que nos fizeram chegar até aqui. Olhar para o passado não com tristeza por pensar que tudo poderia ser diferente, mas com olhar de gratidão e saber que a partir de hoje tudo pode ser melhor.

                                   A vida é muito curta par ser pequena.
                                              Mário Sérgio Cortella

Que as dúvidas e incertezas da vida sejam encaradas com beleza e que tenhamos a destreza para enfrentar os desafios e apreciar os detalhes. Que possamos colecionar o máximo de momentos incríveis e que possamos dizer, valeu a pena ter vivido.

Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.
Érico Veríssimo , Olhai os Lírios do Campo. Editora Globo, 1974.

Roldan Alencar



Ouro de tolo
Raul Seixas

Eu devia estar contente porque eu tenho um emprego
Sou o dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros por mês
Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar um Corcel 73
Eu devia estar alegre e satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome por dois anos
Aqui na cidade maravilhosa
Ah eu devia estar sorrindo e orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa
Eu devia estar contente
Por ter conseguido tudo o que eu quis
Mas confesso, abestalhado
Que eu estou decepcionado
Por que foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar
E eu não posso ficar aí parado
Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Pra ir com a família no jardim zoológico dar pipocas aos macacos
Ah, mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro, jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco
É você olhar no espelho
E se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo, limitado
E que só usa 10% de sua cabeça animal
E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
Que está contribuindo com sua parte
Para nosso belo quadro social
Eu é que não me sento no trono de um apartamento
Com a boca escancarada, cheia de dentes
Esperando a morte chegar
Porque longe das cercas
Embandeiradas que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora de um disco voador
ah eu é que não me sento no trono de um apartamento
Com a boca escancarada, cheia de dentes
Esperando a morte chegar
Porque longe das cercas
Embandeiradas que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora de um disco voador
A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.
Vinícius de Moraes Samba da benção - Álbum "Vinicius".

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Você paga o preço?

Mas pera aí Roldan! Que preço? Do que se trata? Depende.

Bom, verdade, tenho que concordar com você.  Hoje vivemos na era do "depende". Então vou contextualizar.

Em tempos líquidos (Bauman - Modernidade Líquida), onde tudo parece rápido, raso e superficial o valor das relações interpessoais e o valor das relações com os objetos está mudando. Queremos experimentar tudo e a todos. Queremos o novo o tempo todo. Isso é perigoso, mas irreversível. Quanto mais acessível algo está, mais ele perde o seu valor. É a famosa lei da oferta e da procura.

“Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar.”
Zygmunt Bauman

A relação do ser humano com o tempo está mudando. O tempo dura menos. A cada dia temos mais compromissos, são mais carros circulando nas ruas, mais pacotes para abrir, mais filmes, mais cursos, mais aplicativos, mais pratos, como posso experimentar tudo se meu tempo é limitado?  Vou experimentar o máximo de coisas da forma mais superficial possível. BINGO! Essa é a solução mágica encontrada pela sociedade moderna.

Por que ter um super amigo e dedicar um tempo de qualidade para ele, se posso ter dez  amigos e dar 1/10 do tempo para cada um deles ? Por que ficar 10 dias na Itália, se no mesmo período posso conhecer mais de 5 países? Por que me casar se posso a cada semana conhecer uma pessoa diferente? Para que comprar um casa, se posso morar em tantos lugares diferentes?

Agora minha pergunta está começando a fazer sentido. O quanto estamos dispostos a pagar por algo? O quanto estamos dispostos a investir tempo em algo? O tempo é escasso; se dedicar a algo implica automaticamente na perda de várias outras oportunidades. Então temos uma conflito:

Superficialidade x Profundidade
Variedade x Qualidade

Em tempos de Tinder, Ifood, Instagram, Facebook e outros apps, tudo parece mais volátil e superficial. Não à toa que muitos trocam de celulares e carros todo ano. Aqueles que não trocam, muitas vezes, não o fazem somente por questões financeiras. Os relacionamentos também são muitos, ao primeiro desgaste da relação, muitos casais já se separam, afinal não há tempo a perder.

Corrida contra o relógio
Silicone contra a gravidade
Dedo no gatilho, velocidade
Quem mente antes diz a verdade
Satisfação garantida
Obsolescência programada
Eles ganham a corrida
Antes mesmo da largada

(3ª do Plural - Engenheiros do Hawaii)

A questão é, estamos vivendo numa era onde queremos trocar de parceiros, amigos e coisas o tempo todo. O valor inerente de cada coisa está se perdendo.

Pensamos: bom, se ele não quer ser mais meu amigo, tudo bem, posso encontrar outro. Talvez outro até mais interessante. Se ele/ela não quer ficar mais comigo, sem problemas, procuro quem queira...Perdemos o interesse rápido. O mundo moderno e globalizado nos dá a ilusão que tudo é possível. Tudo é acessível. Tudo é instantâneo. Tanto é verdade, que quando mandamos uma mensagem no WhatsApp para algum amigo que está online e ele não responde no mesmo instante, o que pensamos: "Caramba, ele 'tá online e não responde". (Que abuso, que desfeita). Ou seja, pelo fato da pessoa estar online pensamos que ela está acessível e se ela não responde achamos aquilo uma afronta e já criamos um bloqueio, e muitas vezes até perdemos o interesse na pessoa (mesmo que seja momentâneo), porque achamos que ela não teve interesse em responder.

Alguns chamam essa transitoriedade em relação as pessoas e as coisas de "Síndrome de Don Juan", ou seja, a falta generalizada de interesse das pessoas umas nas outras e/ou a falta de interesse nas coisas.

Será que estamos vivenciando a era dos prazeres dionísicos? A verdade é que a variedade é indiretamente proporcional a intensidade do prazer. 

Então fica a pergunta: o que temos feito de sólido? Em relação a nossos relacionamentos (sejam eles de amizade, amorosos, familiares) e também com os objetos que temos ou desejamos (roupas, gadgets, acessórios...).

Todo esse panorama descrito não significa necessariamente que o passado seja melhor que o presente, ele é apenas diferente. Estamos em transição. Mas é preciso ter cuidado. A velocidade do mundo só tende a aumentar. Então o que fazer? É preciso alinhar o uso do tempo com nossos propósitos mais íntimos. Sopesar se é melhor ter poucos e bons amigos do que ter muitos e superficiais. Se é melhor conhecer bem um único lugar ou conhecer dezenas de forma superficial. Se é melhor dedicar um tempo de qualidade num relacionamento amoroso e criar laços ou sair com diversas pessoas e nunca criar laços profundos.

Que possamos balancear e equalizar o investimento do nosso bem mais precioso: o tempo. Que possamos pagar o preço necessário. E que a nossa energia vital seja dedicada aquilo que nos faz bem e aqueles que amamos.


Roldan Alencar


Sobre a liquidez dos "relacionamentos amorosos", recomendo a música "Fuzuê" do Tiago Iorc, basta acessar nesse link: Fuzuê | Tiago Iorc - Clipe Oficial

E também fiz um texto que trabalha a mesma ideia Olhares Atentos


Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver. 
Dalai Lama

Frase e reflexão


“Os tolos dizem que aprendem com os seus próprios erros; eu prefiro aprender com os erros dos outros.”

Otto von Bismark

Como diria Mário Sérgio Cortella, será? O que você pensa sobre essa frase?

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A última despedida...

| Hospital de Barretos - Setor de Hematologia |

- Filho, tô com medo... (fitando os olhos para o chão)
- Calma pai, 'tô aqui com você. Vai dar tudo certo. É um procedimento simples; logo termina (seguro bem forte a mão dele).

O médico chega.

- Boa tarde sr. Roldan. Tudo bem?
- Mais ou menos doutor. Estou com medo.
- Pode ficar tranquilo sr. Roldan. Já fiz mais de 500 procedimentos iguaizinhos a este e nunca aconteceu nada. (sorrindo e com tranquilidade).
          - Tem riscos?
- Tem sim. Todo procedimento médico envolve riscos. 
- E qual o risco então doutor? (com a voz embargada
- É o mesmo risco desse teto aqui desabar em nossas cabeças (com firmeza
- 'Tá bom doutor, obrigado. 
- Fica tranquilo. Te vejo daqui a pouquinho na sala de procedimento (bate as mãos nas costas do meu pai e sai)

Com as explicações médicas, eu fiquei mais tranquilo. Imaginei que meu pai estava com um medo desproporcional a complexidade do procedimento. E disse a ele:

- Acalma o coração paizão. Você não ouviu o que o médico acabou de dizer? Daqui a pouco você 'tá de volta. 
- Eu sei filho, mas mesmo assim. 'Tô com um aperto aqui no peito. E se acontecer algo, não esquece tudo que conversamos, tudo que te ensinei 'tá? 
- Claro pai, mas não vai acontecer nada. (fingindo calma, mas no fundo muito aflito)
- Não gaste mais do que você ganha. Dirija com atenção, principalmente na estrada. Não briga com seus irmãos. Não viva p'ra trabalhar. (ele respira fundo e continua) Viva bem filho. Tenha uma vida feliz. Promete? (ele sempre repetia isso, como um mantra).
- Prometo pai.  
- Obrigado por tudo filhão. Te amo muito 'tá? 
- Para com isso pai; também te amo muito paizão. Até daqui a pouco. (toda vez que ele tentava se despedir, meu coração se dilacerava. Mal sabia que essa seria a derradeira despedida).

A enfermeira anuncia o nome do meu pai:

- Sr. Roldan, já pode entrar.

Conduzo meu pai até a porta da sala de procedimento. Não fui autorizado a entrar. Fico na sala de espera. O procedimento não passaria de 45 minutos. Olho o relógio, já se passara uma hora. Indago a enfermeira:

 - ´Tá tudo bem? 'Tá demorando. 
- O doutor teve dificuldades para iniciar o procedimento, daqui a pouco termina, ok? 
- 'Tá bom.

30 minutos depois, aflito novamente interpelo:

- Oi, desculpa incomodar. Já terminou o procedimento? 
- Vou verificar, um instante.

Mais alguns minutos se passam. Perco a noção do tempo, pareciam dezenas de horas. Não consigo sentar. Levanto. Sento de novo. Olho incessantemente a porta. De repente, olho novamente e vejo o dr. George. Meu coração congela. Os olhos dele estão cheios de lágrimas. Não foi preciso dizer nada, os olhos dele disseram tudo, tudo o que eu não queria ouvir.

- Desculpa. Desculpa, eu fiz tudo que estava ao meu alcance, mas seu pai não resistiu.

Fiquei catatônico. Atônito. Mudo. Gelado. Incrédulo diante da notícia. Ele me abraça forte. Começo a chorar e a soluçar intensamente. O improvável aconteceu, o teto desabou bem em cima das nossas cabeças.

E é por isso que eu digo de coração aberto:

Nem todos os dias estamos bem; isso é normal. Nem todos os dias dizemos que amamos nossos pais; isso é normal. Mas nunca, nunca desperdice uma só oportunidade de demonstrar carinho, amor. De fazer um gesto de cuidado. Um carinho, uma lembrança. Um afago que pode ser um terno abraço ou um simples: como foi seu dia? Precisa de ajuda? Ou um singelo e sincero: eu te amo!

Cuide dos seus pais. Ame seus pais e deixem eles terem certeza disso.

Agora me restam as boas lembranças, os ensinamentos. As piadas, as gargalhadas, o futebol, os desenhos e telas, as canções acompanhadas do violão e depois do ukulele. A vontade de revê-lo é permanente. Como diria Rubem Alves:
A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.
Todos os dias penso em voltar. Mas a vida nos dá e também nos tira; novamente recorro a Rubem Alves:
Amar é ter um pássaro pousado no dedo.
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que,
a qualquer momento, ele pode voar.
Me dói a separação, mas me alenta a lembrança. O amor não se foi, pelo contrário, p'ra sempre ele vai ficar.
Aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas, porque a gente não esquece. O que a memória ama fica eterno.
   
                                                                           
Roldan Alencar



terça-feira, 29 de outubro de 2019

#RubemAlves

“Aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas, porque a gente não esquece. O que a memória ama, fica eterno.” – Rubem Alves

#reflexão

“Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.” – Érico Veríssimo

#RubemAlves

“Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses”, diria o escritor, ou, ainda: “Todo jardim começa com um sonho de amor. Antes que qualquer árvore seja plantada ou qualquer lago seja construído, é preciso que as árvores e os lagos tenham nascido dentro da alma. Quem não tem jardins por dentro, não planta jardins por fora nem passeia por eles…”

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

#reflexão

Life is about the people  you meet
and the things you create with them,
so go out and start creating
Life is short
Live your dream,
and wear your passion.

A vida é sobre as pessoas que você encontra
e as coisas que você cria com elas
então saia e comece a criar
A vida é curta
Viva seu sonho,
e vista sua paixão.

Pupila | Vitor Kley e Anavitória (cifra ukulele)



terça-feira, 15 de outubro de 2019

Definitivo | Martha Medeiros


Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional...

Martha Medeiros

Queremos ser Grandes | Reflexão


QUEREMOS SER GRANDES


Antes de desenvolver o texto, quero me valer da polissemia das palavras. Em relação ao título, quero me referir a criança querendo ser grande, adulta. Também quando queremos ser grandes no sentido de sermos maiores que os demais, no sentido denotativo, material da palavra. Seja em tamanho físico, seja em ser “melhor qualificado” em alguma habilidade ou condição - ser mais inteligente, mais bonito, mais rico, mais respeitado, mais amado etc, e por último, ser grande no sentido de se expandir, querer ser mais do que se é (no sentido abstrato, conotativo).

Quando criança eu não via a hora de ser grande. Imaginava que ser grande me traria muitos benefícios, afinal eu era subjugado pelos adultos, eu obedecia ordens: - faça isso, não faça aquilo, vá para cama, e avisos como: - você vai apanhar se fizer isso. É claro, eu me divertia, brincava, me sujava, era uma criança feliz, mas o sonho de ser adulto me inquietava. Alguns anos passaram e me tornei adolescente, fase repleta de descobertas e contradições. Nessa fase, os pais que outrora achavam que crianças pequenas davam trabalho, se sentem saudosos ao relembrar os primeiros anos de vida, principalmente quando desafiados pelo furor e insatisfação de um adolescente em crise. A verdade é que muitos se rebelam, querem sair de casa, querem independência, querem dirigir, eles querem ser grandes, tornarem-se adultos.

Finalmente quando chega a fase adulta, os compromissos e as responsabilidades aumentam e o "recém-adulto" começa a se lembrar com carinho e saudosismo da infância e resmunga: Eu era feliz e não sabia. Imagino que até mesmo antes da fase adulta, lá no ensino médio, à espreita do temido vestibular, alguns adolescentes já querem voltar a ser criança.

No mundo adulto a competição ganha novos ares. Já não é brincadeira. Quando criança eu nunca queria perder, queria ser melhor que as outras crianças e isso é natural.  A criança que perde se sente inferiorizada e segregada do grupo, com adultos a dinâmica não é muito diferente, mas agora o corpo já é grande. Não tem como fugir. É preciso encarar a realidade, mas homem, ser simbólico que é, mesmo não crescendo mais, pelo menos não verticalmente, sempre busca formas de ser maior. Assim, mulheres usam saltos, homem tentam ter músculos mais chamativos. O desejo de crescer não para. 

Noutro giro, pode-se dizer que a alma do homem é um vazio eterno que procura ser preenchido. E quando de certa forma é preenchido misteriosamente se esvazia de novo, surgindo uma crescente vontade de ser cheio mais uma vez. Assim queremos mais bens, queremos mais vitórias, queremos mais amores, queremos ser mais respeitados, queremos ser amados, queremos mais poder, queremos mais objetos, queremos sempre mais. Queremos ser maior do que somos. 

E neste ponto está a grande beleza da vida. Não em querer ser maior para diminuir os outros, mas ser maior para ser junto com os outros, somar. Aliás, o corpo não cresce mais, na verdade, após certa idade o corpo começa a deteriorar-se e muitas pessoas acham que a alma envelhece também. Mas a alma é infinita. Ela é elástica. O vazio que sentimos, não é porque a alma se esvaziou ou cresceu o que tinha que crescer, mas sim porque ela não para de evoluir nunca, ela sempre cria novos espaços. 

O desejo de ser mais torna a vida mais gostosa de viver. Reviver momentos e querer mais daquilo que nos fez bem é uma exigência da alma. Descobrir novas fontes sem deixar de apreciar o Sol que se poe todos os dias. Veja, o corpo pede comida e ele pede comida na quantidade exata. Mas nós inventamos sabores, pratos, franquias e comemos além, não é à toa que o mundo nunca teve tantos obesos. O corpo pede sono, nem pouco nem muito. Mas nós sempre damos um jeito deixá-lo aquém ou  além, quando dormimos de madrugada e acordamos cedo ou quando dormimos de madrugada e acordamos na noite seguinte. 

Assim, o que devemos procurar é a razoabilidade, o equilíbrio. Ouvir o que a voz interna pede. É impossível negar a influência dos acontecimentos em nossas vidas. Afinal, não escolhemos muitas coisas. Quando e onde nascemos, não pedimos para ser ricas ou pobres, brancos ou pardos, inteligentes, asiáticos ou africanos. Não sabemos  os dilemas do amanhã. Não sabemos nada. Talvez isso explique um pouco o desejo da criança ser adulto. Para que se possa fingir o controle sobre a vida, pois é exatamente isso que nós adultos fazemos. E quando perdemos ou desafiamos essa ilusão, o resultado muitas vezes é trágico: tristeza, descontentamento, depressão. Parece nos falta um destino, pois já dizia Lewis Carroll para quem não sabe onde ir, tanto faz ir ou ficar.

Para as crianças os adultos controlam o mundo de forma absoluta, quando na verdade, sabemos que somos quase sempre controlados por forças maiores ou desconhecidas. Eu disse quase. Porque nesse quase, cabe infinitas maneiras de viver. E nesse quase podemos fazer tanta coisa que não precisaremos ter a ilusão de controlar nossas vidas, nos bastará a certeza de que estamos fazendo e entregando o nosso melhor - para que a vida seja feliz e bela seja onde e como for, como assevera o ensinamento budista: a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. 

Roldan Alencar



quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Sobre amor, melão e futebol

Eu que nem gostava de melão
Evitava comê-lo desde tempos imemoriais
Mas me lembrei que era a fruta favorita da minha mãe
E decidi então "reexperimentá-lo"
Revisitar aquele sabor que outrora achava tão ruim

Na primeira mordida
Um sabor extraordinário
De lembranças
Lembrei da alegria da minha mãe comendo melão
Lembrei-me de quando ela estava gravemente doente
Quando meu pai carinhosamente o preparava
em pequenos cubos

Senti o sabor do amor
Do carinho
Da cumplicidade
Do cuidado
E a partir daquele instante
Minha fruta favorita se tornou o melão
O seu sabor de amor me conquistou

De forma antropofágica
Quando como o melão
Me sinto amado
Lembro do portentoso amor de mãe

E falando em melão
Lembrei de futebol
Eu que nunca fui um grande torcedor
Ao assistir uma partida do Santos (time de minha mãe)
Comemorei cada gol com tanta veemência
Será a magia do melão?

Não há um dia em que eu não pense nela
E nessas trivialidades da vida
Num melão ou num time de futebol
Sinto que ela ainda está em casa
Esperando que seu filho não chegue tarde

Roldan Alencar

sábado, 17 de agosto de 2019

Indelével



"Indelével é o seu olhar que penetrou minha'lma e nunca mais saiu"


Desde o dia que te vi
O seu olhar fitou o meu
Olhei para os lados
para cima e para baixo
Fingindo que você não olhava para mim
Mas no fundo eu sabia
Eu sabia que naquele momento 
Algo diferente acontencia
Ali, sozinhos na multidão

Não eram os olhos que se viam
Eram as almas
Era a energia emando e atraindo
as frequências de mesma vibração

Indelével é o seu olhar 
que penetrou minha'lma
e nunca mais saiu
Vulneráveis éramos nós
Quando vestidos no corpo
E desnudos na alma


Roldan Alencar



segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Dentro de um abraço

Onde é que você gostaria de estar agora, nesse exato momento?

Fico pensando nos lugares paradisíacos onde já estive, e que não me custaria nada reprisar: num determinado restaurante de uma ilha grega, em diversas praias do Brasil e do mundo, na casa de bons amigos, em algum vilarejo europeu, numa estrada bela e vazia, no meio de um show espetacular, numa sala de cinema assistindo à estreia de um filme muito esperado e, principalmente, no meu quarto e na minha cama, que nenhum hotel cinco estrelas consegue superar – a intimidade da gente é irreproduzível.

Posso também listar os lugares onde não gostaria de estar: num leito de hospital, numa fila de banco, numa reunião de condomínio, presa num elevador, em meio a um trânsito congestionado, numa cadeira de dentista.

E então? Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?

Meu palpite: dentro de um abraço.

Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.

Que lugar melhor para um recém-nascido, para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém-contratado? Dentro de um abraço nenhuma situação é incer-ta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente em meio ao paraíso.

O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está tudo dito.

Que lugar no mundo é melhor para se estar? Na frente de uma lareira com um livro estupendo, em meio a um estádio lotado vendo seu time golear, num almoço em família onde todos estão se divertindo, num final de tarde à beiramar, deitado num parque olhando para o céu, na cama com a pessoa que você mais ama?

Difícil bater essa última alternativa, mas onde começa o amor, senão dentro do primeiro abraço? Alguns o consideram como algo sufocante, querem logo se desvencilhar dele. Até entendo que há momentos em que é preciso estar fora de alcance, livre de qualquer tentáculo. Esse desejo de se manter solto é legítimo, mas hoje me permita não endossar manifestações de alforria. Entrando na semana dos namorados, recomendo fazer reserva num local aconchegante e naturalmente aquecido: dentro de um abraço que te baste.

Martha Medeiros (Feliz por Nada).

domingo, 4 de agosto de 2019

FLOR DO CACTO FLOR DO AMOR

FLOR DO CACTO FLOR DO AMOR

 Quero que nossos sentimentos sejam fortes como um cacto, e não frágil como as flores. As flores têm seu encanto e magia, de aparência suave, são cheirosas e coloridas, mas podem secar a qualquer momento. Enquanto que cactos, não despertam os suspiros dos apaixonados, mas resistem a mudanças do tempo. Diferentes das flores, o cacto tem raízes, e armazenam água em seu interior, o que fazem deles fortes, e lhe dão mais longevidade. Seus espinhos são como uma cerca de proteção para as flores que nele brota. Por isso, quero que nosso sentimento seja assim, igual ao cacto.  E que nele possamos saciar nossa sede. Que nossos abraços sejam como seus espinhos, e com ele nos proteja das adversidades das pessoas. Mas que brote uma linda flor seja lá de que cor, e que resista ao frio ao calor. Não sei o que acontecerá amanhã, mas quero predestinar esse sentimento, em sentimento de amor,  e como o cacto, que ele se transforme resistente forte e firme, sem medo de morrer.

MARIEL BENAION

terça-feira, 2 de julho de 2019

#citação

"Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar."


Clarice Lispector

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Canto de Ossanha - Baden-Powell

Link para versão de Vínicius de Moraes e Toquinho: https://youtu.be/_hstxID1kAs

Letra:

"O canto da mais difícil
Da  mais misteriosa das deusas
Do candomblé baiano
Aquela que sabe tudo
Sobre as ervas
Sobre a alquimia do amor"

Vocalização: Deaaá! Deeerê! Deaaá!"

O homem que diz "dou" não dá, porque quem dá mesmo não diz
O homem que diz "vou" não vai, porque quando foi já não quis
O homem que diz "sou" não é, porque quem é mesmo é "não sou"
O homem que diz "tô" não tá, porque ninguém tá quando quer
Coitado do homem que cai no canto de Ossanha, traidor
Coitado do homem que vai atrás de mandinga de amor

Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou

Que eu não sou ninguém de ir em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor

Amigo senhor, saravá, Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha, não vá, que muito vai se arrepender
Pergunte ao seu Orixá, o amor só é bom se doer
Pergunte ao seu Orixá o amor só é bom se doer

Vai, vai, vai, vai, amar
Vai, vai, vai, sofrer
Vai, vai, vai, vai, chorar
Vai, vai, vai, dizer

Que eu não sou ninguém de ir em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor

Comentário:

Essa música ficou popularizada com Elis Regina. OSSANHA (Ossaim) na verdade é uma divindade do panteão africano de gênero Masculino, feiticeiro e detentor do segredo das Ervas. Essa música  faz uma referência a uma passagem mítica dos Orixás, onde Oxóssi é aconselhado a não sair para caçar nas matas em determinado dia, porém ele teimoso vai e não volta pra casa por um longo tempo. Então a pedido de sua mãe Iemanjá, seus irmãos Ogum e Xangô vão a floresta em sua procura e acompanhado deles vai Iansã. Adentrando nas Matas Ogum, Xangô e Iansã encontram Oxóssi  morando maritalmente com Ossanha (Ossaim) enfeitiçado por uma porção que o mesmo guardava em uma cabaça dependurada em uma árvore, Ogum e Xangô quebraram a cabaça libertando assim o irmão Oxóssi do feitiço e Iansã aproveitando o desespero de Ossaim, aproveitou o ensejo para ventar e espalhar todas as ervas que ele cultivava. Oportunamente todos os Orixás colheram das ervas que voavam ao vento e as que conseguiram apanhar a ele ficou consagrada. Porém, antes de qualquer Orixá a primeira consagração das ervas  é de Ossaim por ele possuir os seus segredos e ser o seu Orixá.

Ossanha é orixá masculino para a nação Jeje. Na nação Ketu, este mesmo orixá se chama Ossain (Òsanyìn). É um orixá fundamental do Candomblé, pois governa, domina e entende o poder das folhas e sem folhas, não ha Orixá e nem Candomblé. Os Afro-Sambas foram um marco, pois troxeram um pouco da cultura e religiosidade afro-brasileira. Ainda quebraram um pouco do preconceito que sempre atingiu esta cultura!

sexta-feira, 14 de junho de 2019

#Reflection

"There isn't time, so brief is life,
for bickerings, apologies,
heartburnings, callings to account.
There is only time for loving,
and but an instant,
so to speak, for that."

~ Mark Twain.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

This is you life.

This is you life. Do what you love, and do it often.
If you don’t like something, change it.
If you don’t like your job, quit.
If you don’t have enough time, stop watching TV.

If you are looking for the love of your life, stop;
they will be waiting for you when you start doing things you love.
Stop over analyzing, life is simple.
All emotions are beautiful.
When you eat, appreciate every last bite.

Open your mind, arms, and heart
to new things and people, we are united in our differences.
Ask the next person you see what their passion is,
and share your inspiring dream with them.

Travel often; getting lost will help you find yourself.
Some opportunities only come once; seize them.

Life is about the people you meet and the things you create with them,
so go out and start creating.
Life is short.
Live your dream,
and wear your passion.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

A vida é muito curta pra não ser feliz.....

A vida é um sopro
Uma coleção de pequenos momentos
Cada um deles com sua devida importância
Alguns felizes, outros tristes
Mas nenhum deles mais importante do que o outro
A felicidade é mais feliz pelo viés do contraste

Quem come depois da fome
Come mais feliz
Quem perdeu um ente querido
Celebra com mais vigor a presença
daqueles que ficaram
Aquele que perdeu seu amor
Ama dobrado ao reencontrá-lo

Da mesma forma que a felicidade
é momentânea
A dor também é
E uma hora vai passar

A felicidade consiste em valorizar todos os momentos
com gratidão e sabedoria
Ela não é um ponto de chegada, mas sim o próprio caminho

Que possamos
Celebrar os pequenos grandes momentos
Sejam eles tristes ou alegres
Porque cada um deles
nos ensina
A viver melhor

Roldan Alencar

segunda-feira, 20 de maio de 2019

"...É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai além do que se vê"

Marcelo Camelo (Além do que se vê - Los Hermanos)

terça-feira, 30 de abril de 2019

sê inteiro

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Fernando Pessoa , Odes de Ricardo Reis. Lisboa: Ática. 1946 (imp.1994). P. 148.

Exagerado

Ela dizia que ele não era normal
Que ele distorcia o seu apreço
Tinha gostos exóticos
E trejeitos esquisitos
Ele retrucava "de perto ninguém é normal"
Ela replicava "mas você é exagerado"
Ele abaixava a cabeça e concordava

Sou mesmo e somente de perto
poderá enxergar a imensidão 
do meu amor por você

Não fuja, não se afaste
Você me vê, mas não me lê
No meu exagero posso incomodar ás vezes, eu sei
Mas esse é meu jeito de amar 
em meio a tantas outras formas de amar

Talvez não seja a forma perfeita ou esperada, mas é bem melhor que isso, pois
é real.
De que vale fotos, poemas, chocolates, elogios e buquês sem um verdadeiro porquê.
De que vale o mundo dizendo que te ama
Se ninguém aparece quando clama
De que vale ter alguém na retaguarda para te proteger
Se na verdade você queria alguém ao seu lado 
Não para brigar por você
Mas para lutar com você

Eu te amo, mas não posso ser menos eu para ser mais você
Vou recuar quando necessário
Mas não mudarei minha essência
Para evitar suas truculências

Se na sua linguagem de amor
Não existe espaço para exageros
Pode ficar
Porque dessa vez
Eu partirei
E essa partida
Será exageradamente
dolorida

Roldan Alencar




quinta-feira, 11 de abril de 2019

Pegando Leve | O Terno

"Eu tô pegando leve
Tentando descansar
Meu nível de estresse
Ainda vai me matar
Se a vida vai depressa
Com pressa ainda mais
Eu tô pegando leve
Hoje eu não vou trabalhar"


segunda-feira, 8 de abril de 2019

Poetizar

Poetizar é buscar outras formas
de dizer o mesmo
ou talvez uma tentativa de descrever o indescritível

Como verbalizar a furor de uma paixão?
Ou o amor de mãe?
Como descrever a beleza reconfortante de um rio?
Ou a paz de uma praia?

Poetizar é usar as palavras
Para tocar o intangível
É brincar de deus
Num universo onde tudo é possível

Dançar com as palavras
Balançar com o vento
E fluir com as águas

Ser guiado pelas estrelas
Ser iluminado pelo Sol
E acalentado pela Lua

Da fonte da vida
Não quero apenas beber
Tampouco encher meu cantil
Eu preciso transbordar.

Roldan Alencar

Detalhes

Eu busco os detalhes
Encravados na pele do cotidiano
E de imaginar
que outrora eu buscava apenas o ouro
Ouro de Tolo
E como tolo sempre buscava mais e mais
Antes mesmo de encontrar
por completo o que eu queria

Paradoxalmente
Ainda quero muito
Quero colecionar
Sorrisos, paisagens,
Pores do sol e abraços

Quero de todos os tipos

Pretendo ser abastado de caretas e alegrias
E para os tropeços recomeços
E para a dor muito amor

E tudo bem se eu chorar de vez em quando
É a alma sendo lavada e purificada

Amém!

Roldan Alencar
"Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar."

Clarice Lispector